14/07/2026 09h43

A Justiça Federal condenou o líder indígena Welington Ribeiro de Oliveira, conhecido como Cacique Suruí, a 7 anos e 6 meses de prisão em regime semiaberto. A decisão foi proferida pela Vara Única da Subseção Judiciária de Eunápolis, após análise de provas reunidas durante a investigação iniciada em 2025.
De acordo com a sentença, o réu foi considerado culpado por posse irregular de armas de fogo de uso restrito, com numeração suprimida, além do crime de corrupção de menores. A decisão foi tomada em audiência realizada na última sexta-feira, 10 de julho, e divulgada oficialmente nesta segunda-feira, 13.
Abordagem e investigação
O caso teve origem em uma ação da Força Nacional de Segurança Pública durante a Operação Pataxó, realizada no município de Porto Seguro. Em 2 de julho de 2025, o cacique foi abordado enquanto dirigia uma caminhonete transportando armamento e munições sem autorização legal. No veículo, também estavam dois adolescentes.
Segundo a Justiça Federal, as investigações apontaram que os menores eram utilizados em atividades relacionadas ao transporte, guarda e até treinamento com armas de fogo. As conclusões foram baseadas em depoimentos de agentes, interrogatório do acusado e análise de dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos.
Entre as provas, foram identificadas conversas e registros em vídeo que indicariam a participação dos adolescentes em manuseio e disparos de armas sob orientação do réu.
Fundamentação da sentença
Na decisão, o juiz federal destacou que a materialidade e autoria dos crimes ficaram comprovadas por um conjunto consistente de evidências. A pena aplicada levou em consideração a gravidade dos fatos, especialmente pelo uso de armamento restrito e pelo envolvimento de menores de idade.
Além da reclusão, foi determinada a aplicação de multa.
Argumentos da defesa
A defesa sustentou que o líder indígena teria recebido as armas de membros da própria comunidade e que pretendia entregá-las às autoridades. No entanto, a tese foi rejeitada pelo magistrado.
Segundo a sentença, não houve comprovação de autorização legal para posse ou porte do armamento, tampouco evidências de que o material seria destinado à entrega às autoridades. O juiz também apontou que o réu permaneceu com as armas por período indefinido, o que enfraquece a versão apresentada.
Até a publicação desta matéria, a defesa não havia se manifestado publicamente sobre a condenação.
Contexto e histórico
A prisão ocorreu em meio ao reforço da segurança na região sul da Bahia, marcado por conflitos fundiários envolvendo comunidades indígenas e produtores rurais. A Operação Pataxó foi uma das medidas adotadas pelo governo federal para conter a escalada de violência na área.
Na ocasião da abordagem, foram apreendidas pistolas com numeração raspada, centenas de munições de diferentes calibres, carregadores de alta capacidade e outros itens táticos.
O líder indígena chegou a permanecer preso por cerca de dois meses e foi colocado em liberdade em setembro de 2025.
A região onde vivem comunidades Pataxó tem registrado, nos últimos anos, episódios frequentes de violência relacionados a disputas territoriais e à atuação de grupos criminosos, o que motivou a presença de forças federais para reforço do policiamento.